terça-feira, 28 de maio de 2013

Papa Francisco: "Ateus também vão para o céu"

No dia 22 de maio de 2013, o líder da Igreja Católica, Papa Francisco, afirmou durante sua homilia matinal que "(...) o Senhor nos redimiu a todos, a todos nós, no sangue de Cristo (...) não apenas os católicos. Todos!". Após ser indagado sobre a questão dos ateus, Papa Francisco afirmou que "(...) até mesmo os ateístas. Todos". Papa Francisco ainda utilizou um trecho do evangelho de Marcos,  que diz:

"(…) E João lhe respondeu, dizendo: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue.
Jesus, porém, disse: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu   nome e possa logo falar mal de mim. Porque quem não é contra nós, é por nós."

Esta declaração, apesar de não ter sido posta com o intuito de criar uma discussão teológica, segundo o porta-voz do Vaticano, Rev. Thomas Rosica, criou uma série de debates na Internet, principalmente em sites e blogs ateístas. Segundo o próprio porta-voz do Vaticano, "(...) pessoas que conhecem a Igreja Católica não podem ser salvas se recusarem-se a entrar nela ou fazer parte dela”.

terça-feira, 12 de março de 2013

Angelo Scola, Arcebispo de Milão e "preferido" ao título de Papa

As últimas semanas são de grandes especulações sobre a eleição do novo Papa da Igreja Católica, e sucessor de Joseph Ratzinger (Bento XVI) após sua abdicação do trono papal.

As semelhanças com corridas eleitorais políticas são grandes, inclusive no fato de haverem candidatos "preferidos" entre todos os 115 cardeais que votam hoje, dia 12/03. Sobre o fato shitórico para a Igreja, o teólogo vaticanista John Allen Jr. escreveu para o site National Catholic Reporter sobre o cardeal que mais tem chances de subir ao trono papal, Angelo Scola, atual arcebispo de Milão.

"É consenso que de não existe um favorito disparado para o conclave, mas o mais próximo que existe de um “pole-position” é, provavelmente, o cardeal Angelo Scola, arcebispo de Milão, 71 anos.

Scola bebe da mesma fonte intelectual de Bento XVI, sendo um egresso da escola teológica da revista Communio, cofundada pelo jovem Joseph Ratzinger logo após o Concílio Vaticano II (1962-1965). Como jovem teólogo, Scola publicou longas entrevistas com Henri de Lubac e Hans Urs von Balthasar, grandes teólogos de seu tempo.

Durante a graduação, Scola conheceu o famoso padre Luigi Giussani e se tornou parte do movimento Comunhão e Libertação. Recentemente, Scola vem tentando se distanciar um pouco dos ciellini, como são chamados os membros de centro-direita desse grupo, especialmente porque vários líderes políticos italianos associados a ele andam envolvidos em escândalos de corrupção. Mesmo assim, no ambiente eclesial italiano, Scola está intimamente ligado ao movimento, o que tem seus prós e contras – alguns admiram profundamente o Comunhão e Libertação; outros, nem tanto. O elo do grupo com Scola ficou mais forte graças ao “Vatileaks”, que incluía uma carta do sucessor de Giussani a Bento XVI em março de 2011, reclamando que os dois últimos arcebispos de Milão eram críticos demais em relação a certos aspectos da doutrina católica, e sugerindo que Scola era o melhor candidato para sucedê-los.

Intelectualmente, a área de Scola é a antropologia moral, tema que lecionou no Instituto João Paulo II para Estudos Sobre Matrimônio e Família, na Pontifícia Universidade Lateranense, antes se tornar reitor.

Os argumentos a favor de Scola são os seguintes:

Primeiro, ele é um Ratzinger com um apelo um pouco mais popular. Ele se sente à vontade com a imprensa e, às vezes, se sai melhor no improviso que quando prepara um discurso com antecedência. Seus textos podem ser densos às vezes, mas seus comentários espontâneos são acessíveis, informais e cheios de bom humor.

Segundo, como italiano, ele conhece o terreno e sabe se mover dentro da política vaticana. Considerando que achar alguém que tome as rédeas na Cúria Romana é uma prioridade perceptível para muitos cardeais, isso é uma clara vantagem.

Terceiro, Scola tem uma larga experiência pastoral, tendo liderado as arquidioceses de Veneza e Milão. Ele não é um burocrata de carreira, e muitos cardeais têm dito publicamente que desejam um papa com experiência real nas trincheiras pastorais.

Quarto, em 2004 Scola lançou o projeto Oásis, inicialmente destinado a apoiar cristãos no Oriente Médio, mas que se tornou uma plataforma de diálogo com o mundo muçulmano. Já que as relações com o Islã são consideradas um dos principais desafios do próximo papa, o histórico de Scola é outra vantagem.

Mas também há elementos que pesam contra Scola.

Primeiro, como italiano, ele acaba absorvido pelas rivalidades tribais da vida eclesiástica da Itália. Muitos bispos do país ainda têm o pé atrás com o Comunhão e Libertação, vendo-o como poderoso demais, e podem pensar duas vezes antes de votar por um papa ciellino. É importante entender que, em sua maioria, as divisões entre os italianos têm muito pouco a ver com ideologia ou concepções conflitantes sobre a Igreja, embora elas existam. Por exemplo, o círculo mais ligado ao cardeal Camillo Ruini, ex-presidente da conferência episcopal italiana, é visto como mais tradicional que o ligado ao atual presidente, cardeal Angelo Bagnasco. O que define o contraste, na verdade, é a rede de relações pessoais e de apadrinhamento.

Segundo, como Scola é um dedicado ratzingeriano em termos de perfil intelectual, aqueles para quem o próximo papa devesse adotar uma abordagem um pouco diferente – ou pelo menos ter outra lista de prioridades – podem vê-lo como representante de uma continuidade exagerada.

Terceiro, alguns cardeais acreditam que a solução para os problemas de gerenciamento escancarados pelo “Vatileaks” não é eleger outro italiano, mas justamente derrubar a fortificação italiana na cultura interna do Vaticano. Para esse grupo, finalmente chegou a hora de cumprir a antiga promessa de internacionalização do Vaticano, iniciada sob Paulo VI e que passou por surtos sob João Paulo II e Bento XVI.

Quarto, Scola pode sofrer simplesmente por estar sob os holofotes há muito tempo, permitindo que opiniões a seu respeito se cristalizem, e dificultando que se crie um consenso repentino sobre ele. Quais são as perspectivas de Scola como possível sucessor papal? É preciso levar em consideração que outro dos documentos divulgados no escândalo do “Vatileaks” era um memorando anônimo, escrito em alemão e passado a Bento XVI por um cardeal aposentado, e que foi apresentado na mídia italiana como prova de um incrível complô para matar o papa. O papel pretendia descrever observações feitas privadamente pelo cardeal Paolo Romeo, de Palermo (Sicília), em uma viagem à China. Romero teria dito que Bento XVI estaria morto dentro de um ano e seria substituído por um importante cardeal italiano. Seu nome? Angelo Scola. Em uma corrida na qual exposição demais pode ser fatal, essa não é bem uma publicidade que ajuda as chances de Scola.

Os fãs, no entanto, insistem que Scola tem tido tanta visibilidade por tanto tempo justamente porque ele é uma das figuras mais relevantes nos altos escalões da Igreja, e que o fato de ele ter aguentado firme prova que ele tem as qualidades necessárias para ser papa."

Tradução: Marcio Antônio Campos

* John Allen Jr. é um dos mais experientes vaticanistas da atualidade. Jornalista do site norte-americano National Catholic Reporter (http://ncronline.org/), ele também colabora com o canal de televisão CNN e com a National Public Radio norte-americana. Allen é autor de vários livros sobre a Igreja Católica, incluindo duas biografias de Bento XVI, uma delas escrita quando Joseph Ratzinger ainda era cardeal. Duas de suas obras foram traduzidas para o português: Opus Dei, mitos e realidade, de 2005, e Conclave, de 2002, em que ele descreve os rituais que envolvem a sucessão do papa e apontava vários favoritos para assumir o posto após a morte de João Paulo II.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Um dia para Todos os Santos

Hoje, precisamente, é dia 31 de outubro. O mundo vêm conhecendo este dia como o famoso Dia das Bruxas, ou Halloween, festejado na América do Norte e amplamente divulgado pelo mundo. Junto disso, aparecem as famosas correntes de internet "contra" este dia. No caso específico do Brasil, muitas pessoas criticam o nosso modo de vida que busca muito da cultura norte-americana e divulgam o Dia do Saci (o "Haloween brasleiro"). Vamos fazer algumas considerações.

O que é o Dia do Saci? Muitos leigos não sabem a origem deste dia. Implantado por meio de uma lei federal pelo deputado Chico Alencar (PSOL - RJ) no ano de 2003, ficaria decidido que no dia 31 de outubro seria comemorado o Dia do Saci, um dia reservado à comemoração do folclore nacional, combatendo diretamente as festividades do Dia das Bruxas em molde norte-americano. Alguns estados nacionais, como São Paulo, oficializaram a data a partir deste ano, o que fez com que a divulgação fosse amplamente feita pelos meios sociais e informativos.

Mas qual o motivo de uma data como esta ser feita em contraposição á uma comemoração não-nativa brasileira? O significado do Halloween é realmente tão forte a ponto disso? Vejamos. O Allhallow-even é nada mais, nada menos, do que a véspera do Dia de Todos os Santos, na cultura celta. Porém, tem-se registros de comemoração cívica apenas a partir de 1745, nas regiões do Reino Unido, Estados Unidos e Canadá. Estes dois últimos, locais que sofreram a colonização inglesa, portanto, tendo contato direto com a cultura celta, típica das ilhas britânicas. Muito mais do que uma "festa à fantasia", é um dia dedicado á presença dos espíritos e mortos na terra, uma vez que não é possível a passagem de tais entidades para o plano mortal nas outras épocas do ano. Portando, a origem pagã tem a ver com a celebração celta chamada Samhain, que tinha como objetivo dar culto aos mortos. A invasão das Ilhas Britânicas pelos Romanos, em meados do século V, acabou mesclando a cultura latina com a celta, sendo que esta última acabou quase que desaparecendo ao longo dos anos e séculos.

Com efeito, observamos ainda assim a presença do Dia de Todos os Santos, hoje celebrado no dia 1º de novembro. Se buscarmos a origem católica desta data, conseguimos localizar, há mais de 1300 anos atrás, o papa Bonifácio IV, que estipulou as festividades dedicadas á todos os santos existentes, no dia 13 de maio (Festum omnium sanctorum) e realocada no calendário para o dia 1º de novembro, pelo papa Gregório III. No ano de 840, seu sucessor, Gregório IV, ordenou que este dia fosse celebrado universalmente, como temos conhecimento nos dias de hoje. Com um costume latino-cristão, a celebração do dia 31 de outubro era feita como "vigília" de todos os santos, e o dia 2 de novembro, como o dia dos finados, ou os que já faleceram e se foram deste plano para o Paraíso.

Este humilde historiador, então, vê da seguinte forma o Dia do Saci e manifestações de pessoas em sua apologia: esta data se apresenta mais como uma forma xenófoba e de negação de uma festividade mundialmente conhecida e celebrada, visto que tem origens cristãs e não apenas pagãs e como uma forma mesquinha e fraca de exaltação da cultura brasileira. Isso leva á outra discussão muito ampla, sobre a laicidade do estado brasileiro. Mas, no fim, como não reconhecer o Brasil como um país cristão, com a celebração nacional e paralização de serviços nas datas como Carnaval, Páscoa e Natal? Mesmo configurado como uma celebração unicamente pagã, a Vigília de Todos os Santos também tem sua parte cristã, que reclamem ou não, é presente na cultura brasileira. Qual a falta de legitimidade em comemora-lá? Quem sabe um dia fazemos a coisa certa, e ao invés de transformar uma data tão conhecida mundialmente, não investimos mais em cinema, música e artes nacionais?

por Fernando Tetsuo Miyahira.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Morre Eric Hobsbawm, aos 95 anos.

Hoje, logo ao acordar, tive a triste notícia da morte do grande Eric Hobsbawm, considerado o maior historiador vivo da atualidade. Realmente, uma notícia muito triste, pois, sendo historiador de formação, estudei muito dele e principalmente de suas obras durante a graduação (e até fora dela). Por isso, não pude deixar de prestar a minha humilde homenagem ao homem que prestou um serviço tão grande para a humanidade: o estudo da História. Notícia de Carta Capital:

"O historiador marxista britânico Eric Hobsbawm, considerado um dos pensadores imprescindíveis do século passado, morreu nesta segunda-feira 1º aos 95 anos. Dono de uma vasta obra, Hobsbawm tem como livro mais famoso a Era dos Extremos(1994), no qual narra sua perspectiva sobre o que chama de “breve século XX”, o período iniciado com o começo da Primeira Guerra Mundial, em 1914, até o colapso da União Soviética, em 1991. O livro foi traduzido para quase 40 línguas e recebeu muitos prêmios internacionais.
“Ele morreu de pneumonia nas primeiras horas da manhã em Londres”, afirmou a filha do historiador, Julia Hobsbawm. “Ele fará falta não apenas para sua esposa, Marlene, e seus três filhos, sete netos e um bisneto, mas também por seus milhares de leitores e estudantes ao redor do mundo”, completou.
Hobsbawm, que influenciou gerações de historiadores e políticos, é reconhecido também por sua história do “longo século XIX”, que para ele se deu entre o início da Revolução Francesa (1789) e o início da Primeira Guerra Mundial (1914). A história do “longo século XIX” foi publicada em três volumes – A Era da Revolução: Europa 1789-1848, A Era do Capital: 1848-1875 e Era do Império – 1848-1914.

Biografia

Nascido em 9 de junho de 1917 em uma família judaica de Alexandria, Egito, Hobsbawm foi criado em Viena no período entre as duas grandes guerras mundiais, antes de seguir para Berlim em 1931. Ele se mudou para Londres dois anos depois, quando os nazistas chegaram ao poder.
Depois de estudar História e obter o Doutorado na Universidade de Cambridge, Hobsbawm se tornou professor em 1947 no Birkbeck College de Londres, centro ao qual seguiu ligado por toda a carreira. Também foi professor convidado na Universidade de Stanford, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e na Universidade de Cornel."

Descanse em paz, herói.

por Fernando Tetsuo.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Um conservador católico em uma comunidade islâmica

Apesar de todo alvorosso nos países árabes nos últimos tempos, principalmente após a "Primavera Árabe", a Igreja Católica dá mais uma demonstração de sua necessidade em se atualizar, mostrando uma face menos conservadora. Eis a notícia:

"Beirute - O Papa Bento XVI, que chegou nesta sexta-feira a Beirute para sua primeira visita ao Líbano, rejeitou o fundamentalismo e estimulou a tolerância em uma região afetada pelo violento conflito na Síria, a emergência do islamismo e distúrbios em países árabes.

Esta visita, a segunda de Bento XVI no Oriente Médio - após uma viagem à Terra Santa em 2009 - é uma das viagens mais delicadas do Pontífice, de 85 anos. O Papa desembarcou sorridente e emocionado às 13H40 locais (7H40 de Brasília) no aeroporto internacional de Beirute, onde foi recebido por várias autoridades, incluindo o presidente da República, Michel Suleiman - único cristão chefe de Estado de um país árabe.

Em um contexto de incessante violência na Síria, Bento XVI pediu o fim da entrega de armas a este país, vizinho do Líbano, onde os confrontos entre o exército e os rebeldes provocaram mais de 27.000 mortes, em sua maioria civis. "As importações de armas devem cessar de uma vez por todas. Sem as importações, a guerra não poderia continuar", declarou ainda no avião aos jornalistas. "Ao invés de importar armas, o que é um grave pecado, seria conveniente importar ideias de paz, de criatividade, de amor ao próximo".

Dois dias depois de um ataque na Líbia que matou o embaixador dos Estados Unidos, e com uma série de manifestações no mundo árabe contra um filme americano ofensivo ao islã, Bento XVI se elevou contra o fundamentalismo. "O fundamentalismo é uma falsificação da religião, já que a tarefa da igreja e das religiões é purificar-se", declarou durante o voo."

(retirado de http://www.afp.com/en/home - France Presse)

Conhecido pelo radical conservadorismo, Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI impressiona com discurso antifundamentalista e um tanto mais liberal. O que mais impressiona é o fato de visitar um país com grande maioria muçulmana para realizar o discurso, e sendo aplaudido e ganhando "pontos" com a comunidade islâmica. A estrutura arcaica e ultrapassada de pensamento da Igreja Católica demonstra mais uma vez sua fragilidade, e também a necessidade de se atualizar em tempos onde a liberdade religiosa pede socorro.

por Fernando Tetsuo.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A presença pentecostal na mídia brasileira


 O texto a seguir foi apresentado por Beatriz Carunchio e Fernando Tetsuo Miyahira como exame final das aulas de "História das Religiões" do curso de Mestrado em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC - SP).

Neste breve texto, analisaremos um pouco a questão dos fiéis pentecostais e sua relação com a mídia, principalmente o rádio, meio de comunicação preferido dos fiéis pentecostais de “primeira” e “segunda” onda.     
Maria Lúcia Montes (MONTES, 2006) discute qual o espaço para a religião no Brasil durante o século XX, citando a presença crescente de pentecostais em relação aos católicos, uma vez que o Brasil pode ser encarado como “um país católico”. Segundo a autora, o crescimento dos evangélicos, que lhes deu visibilidade pública, se refletiu também no interior do próprio grupo, que desde a década de 80 procura, agressivamente, marcar sua presença na cena pública, principalmente valendo-se da força política após conseguirem a eleição de uma “bancada evangélica” no congresso nacional durante a mesma época. Mas, apenas isso faria com que o crescimento vertiginoso dos pentecostais crescesse no Brasil do século XX?
O que conseguimos identificar com a leitura do texto de Maria Lúcia Montes é a convergência dos pentecostais com a questão da mídia no Brasil, ou seja, os pentecostais, durante sua história no Brasil, utilizaram-se muito dos meios de comunicação em massa, principalmente o rádio quando falamos de pentecostalismo de “primeira” e “segunda” ondas. Aqui, nos preocuparemos em traçar um histórico do grupo dos pentecostais no Brasil, e a importância da mídia como meio de comunicação em massa enquanto instrumento que viabilizou o crescimento desse grupo religioso.
  
           Chegada e presença dos pentecostais no Brasil

Aqui temos a teoria das três ondas de Paul Freston, explicando o desenvolvimento histórico do pentecostalismo no Brasil. Segundo Freston, em “Evangelical Christianity And Democracy In Latin America” [1] a primeira onda pentecostal começou em meados do ano de 1910, com a chegada de missionários que mais tarde fundariam a Congregação Cristã (CC) e a Assembléia de Deus (AD), esta última em 1911. Tanto a CC como a AD nasceram de grupos influenciados pelo movimento pentecostal dos Estados Unidos, e acabam por desenvolver uma relação de proximidade com as igrejas protestantes norte-americanas e suecas. A CC teve muito sucesso junto aos imigrantes italianos em São Paulo, principalmente por tratar-se de uma prática que foi trazida por um artesão, também italiano e vindo dos Estados Unidos, de nome Luigi Francescon. Já a AD foi fundada em Belém, no estado do Pará por dois missionários norte-americanos, Gunnar Vingren e Daniel Berg, expandindo-se para todo o Norte e Nordeste do país, e depois para todo o território nacional, auxiliada pela grande repercussão entre as pessoas de mais baixa renda e também pelo fenômeno de urbanização no Brasil a partir do século XX. A Assembléia de Deus acaba de tornando a maior igreja pentecostal (e protestante) do Brasil, com mais de 7 milhões de fiéis. Tanto a CC quanto a AD contam com um rigoroso seguimento da fé, moral e costumes. Outra característica destas igrejas pentecostais é o não uso de meios de comunicação ditos modernos, como a televisão, rádio e Internet, pois pregam que os contatos pessoais (tanto como missão quanto nos cultos dos templos) são os únicos e verdadeiros meios de comunicação aprovados por Deus.
A segunda onda pentecostal trata-se do crescimento do movimento pentecostal de primeira onda nos anos 50 e início dos 60, correspondendo também com uma alta atividade missionária norte-americana no Brasil. De todas as igrejas surgidas nesta época, destacam-se três: a Igreja do Evangelho Quadrangular surgida em 1951, a Brasil para Cristo, de 1955 e a Deus é Amor, de 1962. Suas características em comum é o fato de terem sido iniciadas no estado de São Paulo, tal como se caracterizar por movimentos semelhantes á Renovação Carismática Católica e por enfatizarem muito questão da “cura divina”, ou seja, a cura de doenças graves como câncer, AIDS, etc, através da fé e da oração do pastor junto dos fiéis. Além de sua mensagem dirigir-se quase que unicamente à população muito pobre e desamparada, é mais liberal em termos de meios de comunicação do que as igrejas pentecostais de primeira onda, admitindo a comunicação via rádio e folhetins distribuídos nas próprias igrejas.
Finalmente, as igrejas pentecostais de terceira onda são denominadas também, por Freston, de “neopentecostais”, pois não apresentam ligação nenhuma com as matrizes protestantes que direcionaram as ondas anteriores. Características dos anos 70, as suas representantes mais fortes são a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), de 1977, a Igreja Internacional da Graça de Deus de 1980, e a mais recente, a Igreja Mundial do Poder de Deus, de 1998. As duas últimas surgidas depois de um desmembramento da Igreja Universal do Reino de Deus. Tais igrejas se caracterizam pela adaptação do quadro sócio-cultural brasileiro da década de 70, como o inchamento urbano, desenraizamento cultural e estagnação econômica, por isso uma de suas marcas é a chamada Teologia da Prosperidade, que consiste em um movimento surgido nas primeiras décadas do século XX nos EUA, consistindo em uma doutrina que afirma, a partir da interpretação de alguns textos bíblicos como Gênesis 17.7, Marcos 11.23-24 e Lucas 11.9-10, que os que são verdadeiramente fiéis a Deus devem desfrutar de uma excelente situação principalmente na área financeira e na área da saúde.

A mídia no Brasil 

Existem diversas definições para o termo mídia. Dias (2006) afirma que mídia veio do latim media, que quer dizer “meios”. Para o autor, este é um conceito não apenas ligado aos meios de comunicação de massa, mas também intimamente relacionado à publicidade, o que nos leva a questionar se, com isso, o conceito de mídia também não estaria ligado às ideologias que são veiculadas nos meios de comunicação, seja através da publicidade, seja através dos ídolos que promove. Duarte, Leite e Migliora (2006) definem mídia como a institucionalização do processo no qual diferentes agentes reunidos entram em confronto para chegar a uma síntese de significados, normalmente provisória. Já Coimbra (2001) sugere que a mídia é o principal instrumento de produção de significados e de formas de interpretar o mundo. Assim, não mostra apenas o que pensar, sentir e como agir, mas nos mostra sobre o que devemos pensar, sentir e agir. Isso nos leva a pensar que os ídolos e/ou ideologias que a mídia veicula de fato contribuem para o sentido que a pessoa dá a sua própria vida.
Outra informação essencial antes de prosseguir nesta discussão é que, segundo Thompson (2005), ao serem veiculadas pela mídia, as formas simbólicas passam por uma valorização econômica, ou seja, recebem um preço, um valor pelo qual são compradas ou vendidas. Deste modo, continua o autor, tornam-se bens simbólicos. Ou seja, pessoas/ídolos, informações, cultos religiosos e tudo o que a mídia veicula, torna-se uma mercadoria.
No nosso país, notamos que há uma grande ênfase na mídia eletrônica em detrimento das demais, tanto entre a população quanto nos meios acadêmicos, nos quais constatamos haver uma grande oferta de artigos e trabalhos principalmente sobre a televisão. Para Duarte, Leite e Migliora (2006), isso ocorre porque no Brasil, a grande maioria da população não se modernizou com informações de livros, e sim do rádio e da televisão. Com isso, a televisão é muito associada à inteligência (e inteligência é, para muitos, o mesmo que ter muita informação, mesmo que nem sempre essas informações sejam utilizadas na formação de um pensamento crítico).
Coimbra (2001), Mota (2004) e Dias (2006) ressaltam que a televisão se desenvolveu mais no Brasil no período da ditadura militar. Coimbra (2001) afirma que as telecomunicações eram associadas pelos militares ao desenvolvimento, modernização e segurança nacional. Por isso, afirma Mota (2004), foram instaladas redes nacionais, com a construção de estações repetidoras e a instalação de satélites. Para a autora, as redes nacionais integraram o país e facilitaram o controle da comunicação por parte dos militares.
Dias (2006) afirma que, ainda durante a ditadura militar, foi criado o Ministério das Telecomunicações, assim como políticas para o financiamento de televisores. Com isso, os militares pretendiam garantir o acesso da maior parte possível da população ao “milagre brasileiro da economia”, à Copa de 1970 e à transmissão ao vivo do carnaval do Rio. O autor comenta que, em menor proporção, esta foi a mesma estratégia utilizada pelo Ministro da Propaganda e da Informação da Alemanha nazista.

 Considerações Finais

Como mencionamos, ao veicular bens simbólicos, a mídia os transforma em produtos. Paralelo a isso, é popular no Brasil o pensamento de que aquilo que está na mídia é “bom” e “verdadeiro”. Essa idéia faz com que as informações veiculadas tendam a ser aceitas mais facilmente pela população. Assim, os “produtos” oferecidos pela mídia serão valorizados e consumidos, sem que haja maiores críticas por parte da grande maioria das pessoas.
Ao pensar o crescimento do pentecostalismo no Brasil, não podemos deixar de pensar no papel que a mídia teve ao transformá-lo em produto, ou melhor, em um bem de consumo.
Entretanto, devemos sempre ter em mente que, no caso de crenças religiosas, tal como em toda ideologia que se serve à interpretação da realidade, existe uma dimensão simbólica desse bem de consumo. Quem o consome, não “adquire” apenas uma religião e o status que ela traz, mas também “compra” imunidade contra o que Maria Lucia Montes chama no artigo estudado de “situações limite”, mas que os fiéis identificam apenas como “o Mal”: seja o Mal simbólico, representado na figura do demônio, seja o mal da vida cotidiana (doenças físicas e mentais, alcoolismo e dependência química, desemprego, miséria, problemas familiares, etc.). Concluindo, o que se compra não é apenas uma religião e uma forma de interpretar o mundo, mas sim um projeto político: a idéia de que uma vida melhor é possível, com saúde, trabalho e dignidade.  Compram a certeza de que se é merecedor de uma vida digna (aqui e agora), a chance de ser visto como ser humano.

  
BIBLIOGRAFIA
COIMBRA, C. M. B. “Mídia e produção de modos de existência”. Psicologia: teoria e pesquisa. Vol. 17, no 1, p. 01-04. Jan-Abr 2001.

CORTEN, André. “Pentecostalism In Brazil: Emotion Of The Poor And Theological Romanticism”. Palgrave, EUA: 1999.

DIAS, J. V. “Comunicação subliminar na mídia: propaganda televisiva na perspectiva da ética e cidadania”. 2006, 135 p. Dissertação (Mestrado em Comunicação Social). Universidade São Marcos, São Paulo.

DUARTE, R.; LEITE,  C. e MIGLIORA, R. “Crianças e televisão: o que elas pensam sobre o que aprendem com a tevê”. Revista Brasileira de Educação. Vol. 11, no 33, p. 497-510, set./dez. 2006.

FRESTON, Paul. “Evangelical Christianity And Democracy In Latin America” EUA: Oxford University Press, 2008.

MENDONÇA, Antonio Gouvêa. “O protestantismo no Brasil e suas Encruzilhadas”, in Revista USP, n. 67, São Paulo: 2005.

MONTES, Maria Lúcia. “As figuras do sagrado: entre público e privado” in NOVAES, Fernando A. História da Vida Privada no Brasil vol. 4. SP: Companhia das Letras: 2006.

MOREIRA, Alberto. “Neopentecostalismo e Mercado de Trabalho”. SP: EDUSF, 1996.

MOTA, R. “Uma pauta pública para uma nova televisão brasileira”. Revista de sociologia e política. No 22, p. 77-86, jun 2004.

NOVAES, Regina Reyes. “Pentecostalismo, política, mídia e favela”, in VALLA, Victor Vincente, Religião e Cultura popular, Rio de Janeiro: DP&A, 2001.

THOMPSON, J. B. “A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia”. 7 ed. Petrópolis: Vozes, 2005.




[1] A idéia das Três Ondas do Pentecostalismo está contida em FRESTON, Paul. “Evangelical Christianity And Democracy In Latin America”.
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por Beatriz Carunchio e Fernando Tetsuo Miyahira

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Vaticano apoia Federico Franco, novo presidente do Paraguai

De acordo com o site do jornal Tiempo Argentino, a Igreja foi a primeira instituição religiosa a reconhecer o impeachment ocorrido no Paraguai neste último mês. Segundo as notícias, o núncio apostólico no Paraguai, Eliseo Arrioti, reuniu-se com o presidente Federico Franco e anunciou que o Vaticano seria o primeiro estado a reconhecer sua posse.

"El nuncio apostólico del Vaticano en Paraguay, Eliseo Ariotti, se reunió con Federico Franco, con lo cual el Vaticano se convirtió en el primer Estado en reconocer al nuevo presidente paraguayo y en admitir el golpe contra el ex obispo Fernando Lugo.

Ariotti fue uno de los primeros en ser recibido por el nuevo jefe de Estado, quien sólo podía atesorar en su favor un reconocimiento formal de Alemania –que no ve una interrupción constitucional en el jucio político express contra el mandatario constitucional– y de Estados Unidos, que se limitó por ahora a pedir “calma” a la sociedad paraguaya.

Luego de la audiencia con Franco, el representante del Papa Benedicto XVI manifestó su intención de “honrar a las autoridades” y pidió paz para el país, tras lo cual acotó que el Santo Padre envió un mensaje al país.

El prelado evitó dar a conocer detalles de la conversación mantenida con Franco. “Fue una conversación muy personal”, expresó a su salida del Palacio de Gobierno.
Ariotti señaló que “la paz es un don de Dios y sobre todo un don de los hombres”, y se mostró cauto en torno al reconocimiento oficial de los países hacia la nueva administración del Ejecutivo paraguayo.

A su turno, el ministro alemán de Cooperación Económica y Desarrollo, Dirk Niebel, declaró en Asunción que “no existen señales de que el cambio de gobierno haya sido inconstitucional”, tras reunirse en el Palacio de Gobierno con Franco. Pero al mismo tiempo advirtió que “el resultado de las votaciones en el Congreso que llevaron a la destitución del presidente Fernando Lugo son un mensaje político claro”.
Mientras tanto, Darla Jordan, portavoz del Departamento de Estado, instó a que los paraguayos 'actúen de forma pacífica, con calma y responsabilidad, conforme al espíritu de los principios democráticos' ".

As fontes são do blog de notícias Atrio (http://www.atrio.org) e do site do jornal argentino Tiempo Argentino (http://tiempo.infonews.com/).

Por Fernando Tetsuo.